Fatos e Fotos O resgate de uma obra de arte

  • Restauração dos prédios reserva surpresas
  • O resgate de uma obra de arte
  • Antes dos testes laboratoriais
  • Religiosidade expressa no nome

  • Durante o trabalho de entrevistas para o resgate histórico, a Sra. Maria Chies, moradora da comunidade de Santa Clara, apresentou um quadro para a historiadora Cristina Schneider, que fez a sua avaliação. Para a surpresa da equipe responsável pela pesquisa, tratava-se de uma obra de grande importância histórica e cultural, recebida pela Cooperativa União Colonial durante a Exposição Pastoril e Industrial promovida pela Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul em 1931.


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    O certificado que foi emoldurado é de um grande valor por ser uma aquarela sobre papelão de Francis Pelichek. Segundo informações obtidas no MARGS, Francis Pelichek nasceu em Praga em 1896 e veio para o Brasil em 1920. Depois de passar pelo Rio de Janeiro e Curitiba, fixou-se em Porto Alegre. Em 1922, foi contratado pelo Instituto de Belas Artes, onde lecionou durante quinze anos. Profundamente identificado com o Rio Grande do Sul, naturalizou-se brasileiro e costumava proclamar-se “neto dos farroupilhas”. Voltou-se para os temas regionais, retratou paisagens, cenários urbanos e tipos populares que habitavam o centro de Porto Alegre. No velho sobrado na Rua da Praia, onde montou seu atelier, Pelichek recebia alunos e artistas, pintava e desenhava charges para o Correio do Povo e para a Revista do Globo, que eram assinadas por “Peli”.

    Boêmio, de personalidade empolgante e carismática, integrou-se nas rodas intelectuais e artísticas da cidade. Foi amigo dos escritores Mario Quintana e Augusto Meyer e dos pintores Ângelo Guido e João Fahrion. Faleceu em agosto de 1937, em conseqüência de uma cirurgia. Não possuía parentes no Brasil. Por esse motivo, legou ao Instituto de Belas Artes todo o seu arquivo e suas obras. Além da importância da gravura por ser uma obra deste renomado artista, temos que ressaltar que premiação foi durante a Exposição Pastoril e Industrial promovida pela Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul, instituição esta fundada na década de 20 e que é uma das mais antigas federações de entidades regionais. Pela importância na condução dos anseios do setor primário do Rio Grande do Sul, em 1929, por meio do Decreto 4.306, assinado pelo Presidente Getúlio Vargas, a Farsul foi declarada de utilidade pública por representar “a classe rural, um dos fatores preponderantes da vida econômica do Estado”.

    Entre 1931 e 1970, as exposições estaduais foram realizadas no Parque de Exposições Menino Deus, em Porto Alegre. A partir de 1970, as exposições passaram a ocorrer em Esteio, no Parque Assis Brasil. Trata-se da Expointer, a maior feira agropecuária da América Latina.

    Nesse quadro também se encontra a assinatura de um importante líder político, José Antônio Flores da Cunha, que governou como interventor o Estado do Rio Grande do Sul de 28 de novembro de 1930 a 17 de outubro de 1937.